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O caso de Amparo: um assassinato, um altar e uma investigação cercada de rituais

mrsartemisdarkmoon
25 de set.
3 min de leitura

Amparo, São Paulo — maio de 2026.

Quando a Polícia Civil começou a investigar a morte de Kaio Paulo Leite, encontrou uma cena que rapidamente fez o caso ganhar uma segunda dimensão.

Kaio havia sido assassinado.

Seu corpo foi esquartejado.

E partes dos restos mortais foram abandonadas em diferentes pontos de Amparo.

Kaio Paulo Leite, vítima do homicídio investigado pela Polícia Civil em Amparo.


Lucas Eduardo de Oliveira acabou preso e confessou o crime. Em sua primeira versão, teria afirmado que agiu em legítima defesa após uma situação envolvendo Beatriz Jacinto Alves, sua companheira e prima da vítima.

A investigação, porém, passou a considerar uma dinâmica diferente.

E foi durante as buscas que surgiu um dos elementos mais intrigantes do caso.



Uma casa que chamou a atenção dos investigadores

Durante as buscas, os policiais encontraram no imóvel um espaço descrito como um local de veneração, semelhante a um altar.

Havia também um livro de conteúdo ritualístico, facas, canivetes e outros objetos.

Espaço encontrado pelos investigadores no imóvel. A estrutura foi descrita como semelhante a um altar.


Então os peritos utilizaram luminol.

Sob a estrutura, apareceram vestígios de sangue.



Vestígios identificados durante o exame pericial com luminol. A origem do sangue não foi esclarecida publicamente.


A descoberta levou a Polícia Civil a investigar uma possível relação entre aquele ambiente e o assassinato.

E havia outro elemento.

Segundo informações divulgadas pelos investigadores, Lucas e Beatriz participavam de rituais em cemitérios de Amparo.

A possibilidade de sacrifício de animais também chegou a ser considerada durante a investigação.

O conjunto chamou atenção justamente porque surgiu dentro de um caso que já envolvia violência extrema, esquartejamento e ocultação dos restos mortais.

Mas uma pergunta permanecia:

o ambiente ritualístico tinha relação direta com a morte de Kaio?



O esquartejamento

A maneira como o corpo foi tratado depois da morte tornou-se uma das peças centrais da investigação.

Partes dos restos mortais foram transportadas e abandonadas em diferentes locais da cidade.



Materiais apreendidos durante a investigação do homicídio. Foto: Polícia Civil/Divulgação.

Para os investigadores, era necessário compreender por que o corpo havia sido desmembrado.

O procedimento poderia estar relacionado à ocultação e ao transporte dos restos mortais — mas a investigação também precisava verificar se havia outra finalidade por trás da maneira como o corpo foi manipulado.

É justamente nesse ponto que o contexto ritualístico ganhou importância.



A investigação chega à Justiça

O caso deixou de ser apenas uma investigação policial.

Em 17 de junho de 2026, Beatriz e Lucas foram denunciados por homicídio qualificado. Lucas também foi denunciado, em tese, por ocultação de cadáver.

O processo tramita no Foro de Amparo como ação penal.



Lucas Eduardo de Oliveira durante a investigação. Ao lado, materiais apreendidos pela Polícia Civil. Foto: Polícia Civil/Divulgação.


A acusação formal estabelece aquilo que efetivamente chegou ao Judiciário.

E existe uma distinção importante.

A Polícia Civil investigou uma possível conexão entre o homicídio e práticas ritualísticas. Entretanto, na denúncia criminal localizada, não aparece uma acusação autônoma por sacrifício ou “crime ritual”.

Isso não elimina os elementos encontrados durante a investigação.

Mas significa que a hipótese ritualística não pode ser apresentada como uma conclusão judicial.



O livro e a sombra de Lázaro

Entre os objetos apreendidos estava um livro descrito como ritualístico.

Uma das reportagens sobre o caso afirmou que suas características seriam semelhantes às de uma obra mencionada em investigações envolvendo Lázaro Barbosa.

Livro descrito nas reportagens como de conteúdo ritualístico, encontrado durante as buscas.


A comparação chamou atenção, mas não existe documentação pública suficiente para afirmar que se tratava do mesmo livro ou que existisse qualquer ligação entre Lázaro e os envolvidos em Amparo.

É uma pista levantada durante a cobertura do caso.

Não uma conexão comprovada.



O que permanece

O caso reúne elementos que, isoladamente, poderiam pertencer a histórias diferentes.

Um homicídio.

Um corpo esquartejado.

Um altar.

Sangue encontrado sob essa estrutura.

Objetos associados a práticas ritualísticas.

Relatos de rituais em cemitérios.

E dois acusados que passaram a responder judicialmente pela morte.


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